sábado, 31 de julho de 2010

Sobre o Tempo





Se eu conhecesse o que está no minuto, apenas
e sendo cada um o último tivesse todos os poemas
que eu não tive tempo de escrever.

Quem me dera litros de mágoas gaseificadas
sabor groselha, caramelo, chocolate, goiabada.
O que mais eu haveria de querer?

E se eu aprontasse o mais perfeito colossal deslize?
E sendo o derradeiro, celebrasse todas as tolices
que eu deixei de cometer?

Mas, quem me dera aquele largo riso infante,
ocupando a boca de felicidade tão grande,
que ela ficasse sem meios de dizer.

E se me acometesse uma sanidade tardia?
Singular? Seria a melhor e a que eu mais queria:
a mais alucinante de viver.

Quem me dera os pés calçados de vento
e na rapidez de um claro pensamento,
o que passou e o que ainda vai acontecer.

E se para aqueles sonhos esquecidos
houvesse uma cura? Um comprimido?
- Três vezes ao dia para não envelhecer! -

Quem me dera dores bem pequenininhas,
eu as guardaria com botões e poesias,
e as contaria antes de adormecer.

Quem dera me aguardasse um abraço no frio,
quando eu for bem velha, e os meus filhos
tenham desistido de crescer.







segunda-feira, 12 de julho de 2010

Úmida



Cuida
que entre as coxas
vibra navalha
cio
pele
e eu me bordo de chuva.







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