domingo, 24 de outubro de 2010

Desta Vez





Vou dizer-te só esta vez que essas violetas
são o sopro dos sinos cantando o passado
vindo acordar a luz para os dias de campo
Que este tempo beijado das borboletas é o
infinito conspirando o cansaço benfazejo
de um gesto de morte.
Assim, elas valem o chão.




terça-feira, 19 de outubro de 2010

Por Resposta









Pensou consigo mesmo que o silêncio omitia, não sabia como era ponte, ora, muro. Palavras, signos: superficialidades inalcançáveis à língua. Em parte a pele atenta, casualidade, exatamente. O que cabe no querer é irrelevante, mais vale a desmesura. Meia volta na maçaneta... Faça-se água verde onde peixes aflitos lhe venham mordiscar a índole! À sombra do céu, a vida é um instante, por instantes estanque, é preciso gastar todas as angústias para que ela mane. Por isso caminhou suas pontes, cercou seus muros, em nada majorando o amanhã, desde ontem ele chegava, indiferente a que o pulsar seja o primeiro, ou último, ou único. Coração não distingue medidas, e as relatividades têm o hábito se esconder na boca. Páginas se consumam no final. Virá-las-ia sem epílogos nem quebras ruidosas de promessas.




sábado, 9 de outubro de 2010

Deus-Pacto










Há uma ruptura, também, clareza e vertigem
nos olhos que me deste de olhar acima
para o canto que convém à partida

Tendo ficado, contudo
me misturo
perduro

Satisfaz o telhado de estrelas ao meu escuro

Pois não te sei
Se sabes quando morro
se somente adormeço, não sei, Senhor
nada de onisciência sei
não saber nos isenta

Minha culpa é que respiro
a Tua, a que te faz esconder o nome
como se foras homem
Te faz parecer homem
como se foras Deus

Apenas sei que Teus pecados são os meus
os meus
onipresentemente teus
por tê-los criado no mesmo feitio
que em mim te criei

Hoje elas não vieram
deixaram o vento em paz
Escuta como são bondosas essas Tuas aves
recolhem-se por uma partícula perdida a sós

Não queria ser a harpa
me aprazia as cordas
intervalo de dedos e braços
talvez o toque
onde eu te pertença do cerne à raiz
campo ao grão
Solos de silêncios para uma única voz

Calou-se, tal segredo, na foz
na margem, o rio
nenhuma gota se mexeu
galho algum se partiu

Nada fecundou que conhecesse o seu destino
é por isto que Hás de ser como se fosses preciso

Basta-me uma lauda velada entre os santos
de tanta lonjura de Ti
somente um motivo
para dizeres que És enquanto eu tenha sido

Apaziguados nesse ato
de mim para Contigo
de Ti para comigo
selemos o nosso pacto
então serei, serás feliz.



Foto: Reinaldo Lopes Moreira




sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Ao Pé da Nossa Janela





O que você vê ao olhar pela janela? A rua? As pessoas que passam? As outras janelas? O mar? O verde de um parque?
É olhando pela janela que muitas vezes descobrimos novas possibilidades, novas formas de ver o que se passa lá fora.
É na janela da alma que também olhamos pra dentro de nós, para o que somos, temos e sentimos.
É também numa outra janela que temos o mundo na ponta dos dedos e ao alcance da vista. É na telinha de um computador que descobrimos que o outro lado do mundo é logo ali!
E assim vivemos, de janela em janela.
E com essas visões, nós (Cláudia e Jeanne) descobrimos uma nova possibilidade. Descobrimos que poderíamos deixar marcada, guardada, impressa de alguma forma, nossas visões de mundo. E criamos nossos “blogs”, janelas nossas para expressar o mundo interior e exterior a nós.
E por conta de mais uma janelinha, um dia nossos olhares se cruzaram, e percebemos o surgimento de uma parceria, de olhares, quem sabe. Uma brincadeira de olhar a janela da alma humana que foi ficando seria ao ponto de merecer o registro em livro.
E assim nasceu o “Ao Pé Da Nossa Janela”: um projeto que tem como elemento básico a expressão do sentimento que o texto desperta, através de uma viagem narrada e musicada, a partir do poema e de volta a ele. Poesia e melodia vão se incorporar em lugares muito próprios da sensibilidade e da percepção do ouvinte, numa transcendência para além dos vocábulos e das notas musicais. A intenção sempre foi de inovar e, construir um livro para ler, ouvir, ver e sentir. No projeto original temos uma compilação de nossos poemas com músicas (em um áudio book) que fogem ao mero papel de serem equivalentes em notas musicais para os vocábulos dos textos e buscam despertar sentimentos de alegria, melancolia, tristeza, nostalgia e todo conteúdo emocional dos poemas, numa tradução através dos acordes e harmonia das músicas compostas exclusivamente para cada um dos textos.
E agora, porque até os sonhos são construídos em partes, apresentamos uma parte do projeto, o livro com os nossos poemas.
E é com grata satisfação que convidamos a todos os amigos, leitores, blogueiros e afins para o lançamento do “Ao Pé da Nossa Janela”. Uma co-produção Recife-Fortaleza que é uma parte do nosso sonho.
O lançamento será no dia 29 de novembro no Centro de Convenções de Pernambuco (Recife) às 18h.
Esperamos que apreciem nosso sonho e nosso livro. Os que não puderem estar lá conosco para adquirir um exemplar, procurem nas livrarias da sua cidade e aos que não acharem nas livrarias, ligue para todas elas fazendo pedidos (risos) ou nos envie um e-mail (conversemos@aopedanossajanela.com) e aguardem novas surpresas e mais novidades no site “Ao Pé da Nossa Janela”.


Fotografia: Daniel Bezerra






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