quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Noite Em Pleno Dia



História de Se Contar às Vésperas de Fim de Mundo



A pequena cidade interiorana entregava-se à remissão da pasmaceira provocada pela alta temperatura. Corria o ano de 1889. As ruas calçadas de paralelepípedos tremulavam e ardiam. Apesar de o mês ser propício a alta pluviosidade, até aquele momento nenhuma gota de água se derramara sobre os canaviais e plantações de abacaxi. Poucas portas de lojas do comércio se mantinham abertas. Era uma hora em que os lavradores descansavam seus facões e enxadas e se sentavam à sombra para comerem suas refeições frias.

As donas de casa preparavam os filhos para irem ao grupo escolar, ou cuidavam da cozinha. Havia ainda um pequeno contingente de mulheres que se sentava à sombra dos beirais dos telhados que cobriam as casas simples, caiadas em tons claros, para aproveitar a brisa fresca vinda do mar, e para saber e informar sobre as relações sociais do lugarejo.

A velha senhora arrastou uma cadeira de carvalho da mesa nua e a postou diante da janela, no interior da casa. Da janela e da porta aberta via-se fotografias antigas de paisagens, impressas em pratos de porcelana. Como a maioria das casas da cidade, não havia jardim, e o quintal guardava uma viçosa horta de legumes e ervas medicinais diversas. Ela é, sem contestações, uma das moradoras mais antigas do lugar. A história de sua família remonta à época da colonização. Ajudara a nascer muitas crianças, e por várias vezes, em épocas de colapso, fora voluntária no pequeno hospital que ficava do outro lado da cidade, próximo ao porto, muito contra a vontade do pai e depois, do marido. Este era um homem de temperamento arisco, seus silêncios e dissimulações indicavam que estava envolvido em alguma trapaça de jogo ou com outras mulheres. As crises passavam e eles seguiam suas vidas. Ela, na lida com os filhos, agora, com suas próprias famílias constituídas, moram e trabalham na Capital e ele, lhe trazendo presentes, após dias a fio fora de casa. Até que a doença o prostrara, e seus dias se resumiam a esperar o dia seguinte ao lado dela. Àquela hora em que já o asseara e alimentara, repousava os olhos de sua existência, olhando todo o mundo que na janela se lhe apresentava.

Dali há instante, o bonde passaria sobre a antiga trilha de viajantes e colonos, e partiria com seus bancos de madeira vazios. Ninguém ia e ninguém vinha.

O Chefe de Polícia se despediria da jovem esposa à porta da casa e ela sairia, com seu vestido estampado, levando nas mãos o almoço do pároco, recém chegado a paróquia do bairro, lá se demoraria por cerca de duas horas e voltaria com o rosto soturno e levemente ruborizado, não traria nada nas mãos. Cumprimentaria os conhecidos que encontrasse no caminho sem lhes olhar diretamente.

O gerente da Empresa de Correios e Telégrafos, homem alto, de traços finos, ombros largos, se apresentava sempre impecavelmente vestido, atravessaria a rua e se encontraria com o filho do dono do Armazém Central, tomariam uma charrete de aluguel e seguiriam juntos pela estrada que vai dar no porto. Retornariam por volta das oito horas da noite, e a velha Balo, ama de leite do jovem, lhes serviria o jantar na cozinha, se recolheria e eles se despediriam longamente após mais uns tragos de conhaque.

A filha da dona da casa de prostituição, moça pálida, de faces estragadas pela acne, sairia a tratar das necessidades dos negócios da mãe. Antes de conhecer certo cigano, que por lá encantara muitas mulheres tanto quanto provocara desgosto a muitos homens, era uma criatura alegre, inventiva e ousada. Trazia sempre uma resposta pronta às ofensas e piadas que recebia dos pretensos puritanos de seu convívio. Então, ela contava dezessete anos. Agora, aos vinte e oito, tinha atitudes tão pálidas quanto sua aparência. Não se casara e nem pensava em fazê-lo, nenhum homem seria, nunca mais, merecedor de sua confiança e afeto, pois os conhecia mais profundamente do que as mães e esposas dos clientes frequentadores do comércio de sua mãe.

O maior criador de cavalos da região entraria na mercearia no fim da rua com dois peões, e pediria para si o prato de sempre. Sua tranqüilidade confundia-se com frieza. Seus olhos argutos, penetrantes, são olhos de quem precisa prever intenções. Ao que se sabia sua mulher, acometida pela tuberculose, se tratava no sul do país com a assistência pessoal da sua única filha. Verdade, é que nada se sabia daquele homem de cinqüenta e oito anos, a não ser que tinha influência na política e que ia à casa de prostituição com a mesma frequência com que ia à igreja, à qual fazia generosas doações sempre que solicitado. Após o almoço acendia um charuto, dirigia-se ao balcão e perguntava, polidamente, pelos familiares do proprietário, falavam de negócios e política. Os homens que o acompanhavam, como de costume, sairiam primeiro, olhariam a rua, colocariam seus chapéus de feltro gasto e montariam seus cavalos. O patrão seguiria entre eles de volta às suas terras.

Foi assim que naquele dia em que o céu sem nuvens ostentava uma lua cheia e branca e o sol principiava a abandonar seu cume, uma grande quantidade de pássaros, em bandos e desgarrados, sobrevoava a cidade oferecendo indícios de que muitas rotinas se desfariam para sempre.

Foi assim que no momento em que a lua começou a devorar lentamente o sol, as sombras mudaram do lugar de costume. As galinhas começaram a recolher suas ninhadas, e galos cantaram como se fosse chegada a aurora.

No breve período que durou o evento, nunca antes presenciado naquelas paragens, personagens anônimos e conhecidos daquela pacata cidade rural quedaram-se em pensamentos de fim de mundo. Seus desvios de comportamento para tão longe da conspiração ordeira e coletiva da convivência social lhes pesavam na consciência e na carne.

O grande criador de cavalos enterrou o rosto na crina do alazão lamentando ter que se afastar de suas posses num momento em que todos os planos de sua vida começavam a dar frutos. Lembrou-se dos assassinatos das famílias dos colonos, dos desaparecimentos de concorrentes políticos, de como algumas de suas mulheres eram bravas no momento do sexo. Soluçava e relatava aquelas lembranças em voz alta.

A moça pálida encostou-se à parede da casa vizinha a da velha senhora e orou por si, pelo filho abortado, por sua mãe e por sua amante, a oração mais verdadeira que um ser ateu podia orar.

O gerente da Empresa de Correios e Telégrafos, abraçado ao seu frágil amigo, beijava-lhe os lábios prometendo que o encontraria e em algum lugar.

A jovem esposa do Chefe de Polícia largou os pratos amarrados em panos de cozinha e olhava tudo em volta com olhar perdido, chamando baixinho o nome do homem que lhe fizera fêmea e santa. Mas o pároco não ouvia, flagelava-se diante do altar-mor da igreja com fortes socos no peito, onde a batina se encontrava rasgada.

A velha senhora não se movera na cadeira, apenas pensava que morrer daquela forma não doeria mais do que nascer, ou viver da forma como tinha vivido.

O eclipse durou aproximadamente uma hora. Aos poucos a lua foi devolvendo as fatias tomadas ao sol. Enquanto o dia voltava a ser dia, aquelas pessoas jamais puderam voltar a ser, cada uma, o mesmo de antes.

E tudo porque o mundo não acabou.






sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Do Que Eu Sei









Rezei cento e cinquenta
orações de causas
impossíveis
e nenhuma
nos livrou
de nós
Da chuva
sei apenas
continuará
a penetrar
o sal.




          

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

A Terceira Saída Sob o Arco-Íris











A terceira porta
cor de pele por dentro
pintada
como a primeira
une povos em ira marcada.
Uma menina na praia
é sempre menina
na Louisiana
ou Havana.
Mas do que falo?
Um motorista passa
em alto volume
a extensão do falo
felado às pressas
ao pé do muro
que não há em Berlim
como quem grita:
Olhem para mim!
Uma menina na praia
é sempre menina
em São Paulo
ou Teresina.
A terceira porta
cor vermelho hemácia
pintada
como a primeira
abriu-se para nada.
Uma menina na praia
é sempre menina
em Tel Aviv
ou  em Gaza.
Urubus com infantes
nas moelas
são as mesmas crianças
que aquelas.
Uma menina na praia
é sempre menina
na Somália
na Argélia.
A terceira porta
cor alaranjado víscera
pintada
como a primeira
abriu-se para a quarta
de pedras duras
lágrimas.
A terceira porta
cor amarelo fome
pintada
como a primeira
abriu-se assombrada.
Uma menina na praia
é sempre menina
na Sérvia
 na Croácia.
Noções
de poesia em carne
e asco
de se ouvir
na beira do poço
contando dinheiro
de plástico.
Uma menina na praia
é sempre menina
nas Coréias
ou na China.
O caminho da ilusão
é de um passo
a contar da espera.
A terceira porta
cor verde bílis
pintada
como a primeira
abriu-se arrastada.
Uma menina na praia
é sempre menina
no Timor
ou Guatemala.
É práxis de deuses
impossíveis
postuladas em mantras
e rezas nas luzes
de mísseis.
A terceira porta
cor azul desabrigo
pintada
abriu-se arreganhada
a engolir Meca e Coliseu
sob o céu que protege
heróis, santos, reis e réus
restantes pós enganos
de uma paz herege.
A terceira porta
cor anil necrose
pintada
como a primeira
abriu-se bandeada.
Uma menina na praia
é sempre menina
em Nova Délhi
ou  Tibet.
Quebrando a direita
e a esquerda
dobrando a esquina
o que há é
a mesma rinha.
A terceira porta
cor violeta violenta
pintada
como a primeira
abriu a guarda
da sorte para a morte
em larga escala.
Uma menina na praia
colhe cogumelos
-que dão sob o arco-íris-
cheirando Sarin
queimando em Napalm
ainda distante do fim.








sexta-feira, 2 de novembro de 2012

A Aerodinâmica das Coisas Que Se Diz








Dizer dia e caber no plano

Das horas é rotina.

Dizer rotina e caber no plano

Do tédio é óbito.

Dizer tarde e caber no plano

Dos dias é nunca.

Dizer nunca e caber no plano

Da espera, desperdício.

Dizer escolha e caber no plano

Do único é lógico.

Dizer único e caber no plano

Do exclusivo, modesto.

Dizer meu e caber no plano

Do que pertence é posse.

Dizer meu e caber no plano

Do que faz parte, partilha.

Dizer amor e caber no plano

De tudo é transgressão.

Dizer amor e caber no plano

Do exato, exagero.

Dizer porta e caber no plano

De fora é mundo.

Dizer mundo e caber no plano

De fora, a sós.



Imagem: http://www.luvluvluv.tumblr.com/




segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Das Dô da República










Doa a quem doa

                                                o dolo

Das Dô

                                                                  divide-se o bolo

                                   conta-se favas

segura a saia

                                                          no ardil não caias

corre capenga

                                                                                              despista o capanga

                                         Das Dô!

     Não rales joelho

                                                                      e o reles do esteio

                                  quando vês

  num revés
                                                 
                                                   já passou.






Imagem de Portal Guaratiba
http://www.portalguaratiba.com.br





sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Macho e Femen









Um machista é aquele que não se incomoda em ver peito quando a proposta é sexual e ele tenha em mente que os mesmos lhe pertençam, mas assim, em público, muito público, peito choca até durante a amamentação. Amamentar não deveria ser ato tão doce depois que se adolesce. Contudo, as mulheres que amamentam em público deveriam estar protegidas desses mal estares e falsos pudores alheios. Afinal, peito é um órgão sexual ou, primordialmente, de nutrição? Quando o homem (sexo) conseguir definir isto movimentos como o Femen não serão mais necessários, porque as mulheres já o sabem.

Quanto a autodenominação do grupo feminista, “As Vadias”, não é a si que denigrem, mas a condição psicossocial, independentemente de fama e riqueza, ou do degredo aos quais as mulheres são reduzidas ideologicamente por ser a monogamia na espécie humana apenas atingível através de esforço civilizatório e não sem algum altruísmo. Contudo, se a sociedade fosse realmente esforçada Sigmund Freud não teria necessitado explicar nada, sobretudo, ele mesmo.

Diferimos muito dos muçulmanos, por exemplo, nas concepções acerca de sexo comportamental, mas não nas finalidades. Usualmente, nas terras do culto ao Profeta, burcas e véus são impostos para proteger as mulheres dos desejos masculinos, e através delas os machos da espécie se protegem uns dos outros. A mutilação genital de mulheres, tradição cultural hedionda, sequer está prevista no Corão, mas as mutilando, as sociedades muçulmanas purgam seus próprios pecados carnais, como a cortar o mal pela raiz (no projeto de árvore das outras). Ocidentalmente, diz o mito, Eva mordeu o fruto proibido e o ofereceu para Adão que, convenhamos, não declinou de degustar da mesma tentação, e toda a humanidade adâmica continua ocultando seus pecados capitais na transferência simbólica da culpa às fêmeas, no igual sentido de preservar os machos da espécie deles mesmos. Impressiona muito que a humanidade ainda se sinta alarmada em seus desejos sexuais, não obstante toda a racionalidade científica e divinal, por... Peitos.

Todavia, haverá mérito nisto tudo. A tecnologia afirma que em 2029 um mega computador pensará como um ser humano. A profecia de George Orwell em sua obra 1984 sobre o pensamento único e uma única nação totalitária corre risco de não se cumprir pelo simples fato de não ter para quem se cumprir. Na falta de pensamentos próprios, que fujam a regra do consumo e do sexo, do âmbito circular, por conseguinte redundante, das redes sociais, parâmetros atuais, o ser humano poderá recorrer à máquina e seus infinitos bytes de informações confrontáveis que produzirão outra quantidade infinita de informações, ao mesmo tempo em que a massa cerebral, muito provavelmente, na atrofia do desuso, volte às dimensões da de um chimpanzé como efeito da causa humana.

Ufa! Mas que alívio essa qualidade estritamente homocêntrica de negar sentimentos quando são próprios, e, se consequentes, aplacados em beneméritas indulgências teístas e clínico-analistas da psiquê: a inveja, a preguiça, a soberba, a luxúria, a ira, a gula, e a avareza, sentimentos não simuláveis, dado as combinações infinitas de gatilhos que os deflagram. E não sendo seres hormonais, os andróides derivados dos mega computadores dispensarão as compreensões anatômicas sexuais ao se multiplicarem, pois tal dimorfismo será obsoleto, após trinta e oito bilhões de anos, e mais alguns evoluídos (desdobrados).

As contaminações neuro-hormonais dos andróides seriam improváveis. Eles não morrerão pelas próprias mãos ao se esvaziarem das paixões que impulsionam os seres não-mais-pensantes remanescentes, nem se afastarão caridosamente do grupo ao modo espiritual evoluído das baleias, também mamíferos, que o fazem instintivamente, para não se converterem em fardo aos demais do grupo, do contrário, haveria impedimento da progressão pela sobrevivência. Em contrapartida, não haverá pressões emocionais pelo cumprimento do Decálogo de Moisés. Nenhum andróide será morto pelas paixões. Não haverá deserto de alma para o qual a honra seja qualidade imperiosa, e ela deixará de existir. Assim como os ídolos e mitos de personificação de massas. A mentira será substituída pela lógica, substrato da verdade. A raça cibernético-humana terá atingido o auge. E tão perfeita, não temerá a Deus nem a si, então Ele poderá dizer, um dia a mais, um dia a menos:

- Crescei e multiplicai em silício e sem receio. No amor da assexualidade ancestral que vos dei.

Possivelmente, Deus chamará de Prometeu do Bosón de Higgs o último ancestral comum a Ele. A Terra poderá ser infinita enquanto segue às chamas do Sol e à plenitude do Caos, sem peitos que a importune, após a reverberação das trombetas apocalípticas.





Dedicado ao meu mais querido e instigante machista distraído.







sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Mendigos







Não era um morto, mas só.
Respeitem a solidão desse corpo
que precisou ser conquistada
dia a dia nas caras fechadas
no não que se dá a quem é ninguém
na mentira contumaz pro tostão
pra pedra, aguardente e pão.
Respeitem o que virou corpo
que para ser gente adota um cão.

Não era um corpo, mas só.
Respeitem a solidão desse morto
que precisou ser conquistada
dia a dia na postura empertigada
no sim que se dá a quem é alguém
na reverência contumaz pro milhão
pros outros, à outra, pro pão.
Respeitem o que nasce morto
que para ser gente compra um cão.





domingo, 26 de agosto de 2012

Mimetismo












Essas tintas de artifício

colorindo ao desbotar

Essas certezas subjetivas

serão sempre urgentes

porque pintam sempre

com os oito sentidos

e dói-me por vezes

a cegueira que eles tem

então me é suficiente saber

que a via do futuro

se colore em exagero

por ser lenta de menos.









sábado, 25 de agosto de 2012

Colheita










Pousam os corvos
Milharal brota filhos
Falhos e milhos


Corvo se poda
Na raiz do Planalto
Volta - não voto -





 
 
 

sábado, 28 de julho de 2012

Desencontro











Chegou pontualmente
vinte e quatro horas
antes de um dia marcado

Eu o chamei
de o que podia ter sido
noite que o sol
esgarce a olhos abertos

dois átimos para a madrugada

Por tão preciso
no passo que veio
chamei de amor perfeito
o travesseiro amassado
justo e posto no lado da cama

De comunhão
chamei as maçãs
que não se morde às pressas

De costume
rotinas contadas passando
como novas conhecidas

No entanto
para chamar de vela
alguém tinha querido
minha alma navegando
a meio mastro

Foi sem jeito a demora
desde então me chamo
do que a saudade empresta.








domingo, 24 de junho de 2012

Amanhãs









Lembrava-me de mim
pelo que deixava entre caminhos
partes que se me desprenderam

Pelo pouco que carregava
de tão raro, só tinha valia na falta
toda vez que chegavam amanhãs

Lembrava-me assim
pelas cicatrizes que me cortei
no lado de fora de onde avistava chegar

Queria os anjos
das modinhas negligentes de dormir
eles também se enganavam.







sábado, 9 de junho de 2012

Menor Que Tudo










Há momentos
                                               que caem num dia
                                                                                  como um segredo veloz
começa no instante
                                               e nele vira epitáfio

                                  Distâncias longas
                                                                             por onde vou aprisionada
                                                                                                            tão dentro das horas
                            como se a minha alegria
                                                                                       passasse a existir menor que tudo

Por acaso
                                       quatro faces
de um dado
                                                reunidas apartadas
                                                                                      sem ser maldade
ignorar com qual das mãos
                                           Deus apostou

                       Feito me reservasse
                                                                   ainda
a presunção
                                                            de um dia que não agonia

porquanto liberdade é teima da renúncia.







sábado, 12 de maio de 2012

Laira








Se a flama de mil pores-do-sol
em ventres vaga-lumes
não piscasse antes do verbo terra
terraria tempos de carvão
flamboyants em motim num pólen
sem megatons de primavera.

Pele fresca de rios na boca do vento
seria desde então silêncio
nem caos seria nome-princípio de azul.

Aguardei antes do escuro do mundo
nomeares teu nome o mesmo de mim.








segunda-feira, 23 de abril de 2012

Retórica







Do que componho

A textura e não o rascunho

A palavra que não há

eu queria falar

Assim refaço todas as partes

Os riscos que não são arte

Se tanto existe na retórica que se omite

Por qual motivo haverias de lê-la triste?








segunda-feira, 19 de março de 2012

Paredes










Janela dura
de tanta argamassa
nos lados da rua







domingo, 4 de março de 2012

Em Caminho











De idéia e pó
ao contínuo perder-se
Aqui talvez não








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