sábado, 11 de outubro de 2014

Poema Limpo






Àqueles
que honestamente
precisam esconder
suas penitências
seus horrores
seus temores

Honestamente
protegerem-se
dos que amam
desleixados
diminuídos
presumindo
seus fatores

Não é poema
aos que se embaraçam
porém
àqueles que agonizam de pena
Que somem de amor
Que matam amor
Atiram na consciência
Tiranizam a indecência
como se amar
pelo simples ato
não fosse uma excrescência

É para quem
ama ao som do escuro
Quem se exibe
na multidão
e se esgueira
por sobre muros

Quem se permite
se delimite

Quem sabe do enfado
da fronha
Quem viu a solidão
que o amor acompanha

Para quem soma
partilha e divide
miudezas
e por elas cultiva afetos
uma espécie de certeza
decerto
Se baratas ou raras
na separação que já há
fica o apreço
É que o amor
tem lá seus amuletos

É para os que fazem
do amor um senso-comum
Para os de amor de apenas um
Para os de dois sem ninguém
Para um terceiro no meio
Equilíbrio deslocado
como não fossem cada qual
já seu próprio lado

É para os que lamentam
o tempo perdido
e consomem o restante
querendo ser querido

Para os que advinham
e satisfazem desejos ocultos
se dilaceram
ou recompõem
em atos secretos
pelo amor bem-aventurado

- o amor é um sentimento irado-

Também
é para os românticos
do amor em amplitude
em clarividente claridade
que se acredita na juventude
Consultado na magia
nos horóscopos
Que se procura distraído
nos fundos dos copos
Que se desconhece
antes dos hormônios
e depois
ataca com a fúria de demônios

E quão perverso
seria em verdade
se os que contam
com o amor eterno
descressem da eternidade
As horas que marcam o tempo
teriam qual finalidade?

Aos que, suam, tremem
e não traem
Aos que traem e permanecem
Aos traídos que esquecem
Aos que amam e perdoam
Aos que perdoam e odeiam
Aos que se revelam
Resvalam
Se enlameiam
Se preservam
Envelhecem

É para os que amam
caprichosamente
fartando o outro
do carinho
que se sente
em imenso afago
Pois de convicção
seja feito esse amor
e seja
sobretudo
despudoradamente
persistente
da unha à alma
da boca ao sexo
dos pés ao pescoço
Diariamente

Onde não há esforço
o amor nunca amado
é só fosso.






quinta-feira, 9 de outubro de 2014

O Malabarista







Rola bolas coloridas no trânsito
Cinto frouxo ata fome ao estômago
Os carros passam, passa a cidade
Riso bobo distrai o trabalho na arte
Coberto por lonas de fumaça
faz passos de dança sobre a faixa
e agradece a prata sem graça
Fecha o sinal, um meio cigarro
Segunda à Sexta, é este o contrato
No Sábado o carinho ligeiro pago
Seu Domingo não tem espetáculo
Segunda, e lá está ele de ressaca
Carros, passantes, a cidade passa
Vem de encantos e cansaços vagos
Rolando rotinas e acasos tantos
Segunda à Sexta, assim é o trato.





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