quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Mártir





Arquitetura






Agora
faz de conta que essa conta é minha
me conta com quantos tijolos
o caos fez a Lua amarelinha
usando a massa que tinha.

Se tinha escala e transferidor
se há uma janela aberta para ela.

Se no fio do prumo
aprumou também a dor.

Se é fria como um iglu
e por qual elevador
subimos eu e tu.








segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Poema Rápido




Tão rápido que escapuliu
deixando suores
extratos
rumores
e
pelos
e
luzes
e
 lábios por dentro
por fora
de todos os lados.






quarta-feira, 20 de julho de 2016

A Quem Interessa?





O que é?

Estado de espera.
Estado de coisas.
Estado de choque.
Estado de morto.

De que é?

É feito de espera.
É feito de coisas.
É feito no choque.
É feito de morto.

De quem é?

De gente que espera.
Da gente e de coisas.
De gente em choque.
Da gente e do morto.

Para que serve?

Para gente do Estado de Espera.
Para gente do Estado de Coisas.
Para gente do Estado de Choque.
Para gente do Estado de Morto.

Onde fica?

Nos palácios do Estado de Graça.
Nas favelas do Estado de Glória.
Nos templos do Estado de Êxtase.
Nas ruas do Estado de Ócio.

Como é?

É como político em estado de graça.
É como bicho em estado de glória.
É como Bispo em estado de êxtase.
É como gente em estado de ócio.

Quanto custa?

Na internet e TV é quase de graça.
Nos templos depende da glória.
Na cama depende do êxtase.
Nas ruas depende do ócio.



domingo, 29 de maio de 2016

Defesa Pessoal




não é punhal
é a verdade
não houve eu
não haverá
não estou dentro
escorro por fora

não é punhal
e me fere
quando me omite algo de si
se omite
não era para eu estar aí

não é punhal
é a vida que acontece
em distância de mim
é o vazio
o nada
o tudo que não cabe

e agora?
o que resta?
meias palavras e pronto?
de pronto

não é punhal
me fere igual
quando não sou parte de ti
e só mais tarde me parto
sou parto

não é punhal
é a vontade que me faças presente
sem ser indigente
negligente
penitente

um dia
queiramos nós
estarmos perto
a sós
por gestos e vontades

punhal é essa necessidade
nem carece que fira
para ser de verdade
quando fico invisível para ti
é não ser vista que fere

é a nossa história
não me deixe de figurante
pois dói como um punhal
e essa dor é nossa
eu sei bem
nossa pequena grande história



Honrada pela delicadeza visceral de Paty Braga.






quinta-feira, 26 de maio de 2016

Sr. Mário Quintana




Minha revolta
é completa
não pela metade
embora plácida

Por vezes gaiata
nada eufórica
ecumênica

Encorpada
doce, escura e líquida
como café

Como se fora política
E é

É sem trilhas

Nem à esquerda
nem à direita
que separam matilhas
com uma carne à espreita

Quanta inveja!

E até ela é um Quanta

Meu percurso
na aventura
mundana
é menos muito
que a de Quintana




sábado, 14 de maio de 2016

Conceitos Para o Futuro





Quando o cromossomo Y surgiu há mais ou menos 180 milhões de anos:

1. Já existiam  fêmeas/individuos com mtDNA: O mtDNA estava presente na natureza há 1,8 bilhão de anos. Todo eucarionte sexuado já possuía herança materna de mitocôndria.

2. O que aconteceu: Uma mutação num autossomo em algum ancestral dos mamíferos theria. Um dos dois cromossomos de um par de autossomos ganhou um gene SRY, esse cromossomo virou o proto-Y.

3. A fêmea da espécie não mudou: A fêmea continuou XX, com mtDNA, igual antes. O que mudou foi que alguns filhos agora herdavam esse proto-Y mutante.


Conclusão: A linhagem mitocondrial da humanidade é exclusivamente feminina.








quarta-feira, 27 de abril de 2016

M. Saint-Exupéry




ah, sim!

há suplemento
em cada luto
em movimento

nos teus e nos meus

só se cresce
quando algo já morreu





Mais Um




rabiscando
em guardanapo
de papel

lá pelas tantas

desenhei poemas
com teu jeito

a noite chegando
num tropel

teria sido só um dia
comum

eu arranhava o papel
você pedia mais um

aquele dia
nunca mais anoiteceu





terça-feira, 26 de abril de 2016

Rota



se o teu ciúme
pelo simples costume
de me amar
é menor do que o mar
que é vasto e meu
ame-me como as gaivotas
amor meu
mas deixe em suas asas
as rotas de me visitar




Construção





bati num prego

a madeira rangeu
por dentro

me sussurou um poema
mínimo minimalista

o calo só valerá à pena
se a pancada e o tempo
fizerem do sentimento
uma Ilíada







Assincronia



E agora é que são elas
o retardado calendário
deu de me cobrar urgências
como não fosse o próprio
mais indolente que as esperas




Orgânica






Entro nas tuas narinas
correndo aos pulmões
Se erro o trajeto
me troco nos átrios
Assim me reconheço
e contigo me basto



O Escritor




Aquele inseto na tela
desenhou uma letra nova

hieroglifo na página infinita
para um dia de chuva
anoitecido na janela

Fina
intensa e constante
cortada por fios elétricos
do poste e sua luz amarela

Acima do ar lavado
o céu ficou vermelho
estatelado

Abaixo o asfalto falho
preto e limpo
batizado

Ele a escreveu tão claramente
que a cada gota caída
podia se ver grávida
uma semente

Nada cobrou pela obra
assim como veio
foi embora




A Volta




Os meus caminhos
necessitam do mar

Há tanta água no mundo
e só dois olhos para olhar

É tanta vida escondida
e tanta minha a estiar

Quando eu
me falte aos meus fluidos

nem murmúrios
nem ruídos

me deite no corpo salgado do mar
ele há de reconhecer-me ao voltar



Fotografia: Jeanne Chaves




sábado, 27 de fevereiro de 2016

Noite de Mariana







céu crivado
Mariana dorme
sem vizinho nem lado





quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Poema de Ficar




Prepare-me um Sol
na garganta
e a boca sorrindo
Um carinho azul
com braços de moinho
-contínuo-
Seja sempre manhãzinha
enquanto entardeça o tempo
e quando eu chegue sozinha
não estejas se indo.



Para Lígia



sábado, 6 de fevereiro de 2016

Paciência





Bom entendedor
meia palavra alcança
aos que fogem da regra
um dicionário inteiro cansa.




Regular




Oro
Oras
Ora
Oramos
Orais
Oram
Oral
não faz mal



quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Êxito



Um dia fácil
crianças entre flores
bala sem projétil





quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Fugaz




Poema covarde
vem, me arde
me engravida e parte


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