terça-feira, 19 de maio de 2015

Passagem




Dê-me passagem
tempo, paz
paisagem.

Eu passo como
as coisas em viagem

após encantamento
viram saudade
depois esquecimento.

Desacontecem
como acontece o tempo.




Com Paty Braga




segunda-feira, 11 de maio de 2015

Poema de Não Voar





A ave do meu peito
vai-se no vento
me arranca a liberdade
com garras pequeninas
Dói-me não ter sabido que eu as tinha.
Fica a carne cortada
e esta poesia.



Com Paty Braga.





quinta-feira, 30 de abril de 2015

Trabalha-Dor






Trabalho engrandece o Homem
enormemente
e
as Feras que bestializam o homem
proporcionalmente.





Educação Pública X Bombas de Gás.
Massacre da Polícia Militar do Paraná contra Servidores Públicos daquele Estado de Coisas.

Imagem: www.ugt.org.br



quinta-feira, 16 de abril de 2015

Intimidade






As mentiras precisas
-paladar da tua boca-
essas eu amei cada uma
incapaz

Lá no coração
onde os poetas erguem
os feitos da alma

De tal distância
coração nada mais é
do que um condão
de faz-de-conta
Verdade despossuída

Serão tuas verdades ocultadas
meus melhores segredos
e eu a levá-los contigo
em apartado
até me sequem as palavras
como um rio
sem poder correr para trás.




Muy Leve




Deseo el amor
de los árboles por sus hojas
-en otoño-
el desprender muy leve, leve
que las posa en la tierra como hijas.
Lo que no supuso, el amor releve
la lluvia invernada
acrescentada en la savia de la raíz.
Así quiero
al menor viento, por una riesgo
ese amor, y generoso
en cada una de las veces
como fiesta, con razón, quizás.
Que las muertes que el tiempo hizo
con presentimientos de ser feliz
solo se llevaron de mí
aquello que nuca fui, tuve, quise.



Com meus sinceros agradecimentos para Manuel Zapata, tradutor.






segunda-feira, 6 de abril de 2015

Ponto de Fuga







A coisa
é assim
do índigo
ao carmim
Magenta
se inventa
O morto
se ausenta
O santo
se isenta
e a quem
se arrebenta
também o cinzenta
Tudo é
pelo menos
pleno
Nada é
pelo pleno
menos
Sei o que digo
Relógio de pulso
expulsando
as horas do ano
parece comigo
Toma da vara
menina
Nem todo castigo
é sina
E pesca pétala
e gralha
pois nem todo fim
veste mortalha
como nem todo norte
traz sorte
Toma do chão
escreve as estrelas
para se guiar
que nem toda fuga
é abrigo
Há que testar
E o que escapa
ao que lhe digo
não está aqui
nem acolá
encontrado
é preciso
paciência
para pintar.



Pintura de Patrice Murciano





domingo, 22 de março de 2015

A Medida do Perdão







Quanto de perdão
haverá em cada um
ao perdoar uma ofensa
de cada vez e uma única vez
cada ofensa de cada um?






terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Favela Tipo Exportação





Seu Clemente
foi educado
para ter sua miséria
com músculo
doçura e dente
Um rebento
achou bala perdida
Outro
pedras na balada
Criou mais um
ao pé da mesa
-cão magro amarrado-
faltava-lhe pedra ardente
também
a rudeza do soldado
No gueto ideológico
Luxo místico
sem paz
dia vai alegórico
dia em cápsulas de fuzis
dias vem brilhos a mais
do que estrelas cadentes
e nos dentes de Clemente
Ingênuo
da Carochinha
envelheceu
ficou demente
faleceu deixando
por herança
a muita miséria
que tinha
e uma TV de plasma
a repetir a ladainha.




Fotografia gentilmente cedida por J.S.




quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Abominável Gado Novo






Eis nosso lastro
pasto emparedado
rês tange gado.








quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

A Ti, Tudo






Mereci, encaro
ficando escuro, disparo.
se raro, me preparo.




terça-feira, 18 de novembro de 2014

Música...






entidade orgânica.




 

Ônus




Não me dês cabresto
Sou eu os meus eixos
ocorro por cima de mim
E, acerca do meu fim
ele principia e finda
debaixo dos peitos
Aterrisso na esquina
na hora mais tardia
do Sol sem trégua
nem em larga sombra
que dirá na lenta légua
Se me queiras traiçoeira
basta me exigir, amor,
amor de vida inteira.




quinta-feira, 9 de outubro de 2014

O Malabarista







Rola bolas coloridas no trânsito
Cinto frouxo ata fome ao estômago
Os carros passam, passa a cidade
Riso bobo distrai o trabalho na arte
Coberto por lonas de fumaça
faz passos de dança sobre a faixa
e agradece a prata sem graça
Fecha o sinal, um meio cigarro
Segunda à Sexta, é este o contrato
No Sábado o carinho ligeiro pago
Seu Domingo não tem espetáculo
Segunda, e lá está ele de ressaca
Carros, passantes, a cidade passa
Vem de encantos e cansaços vagos
Rolando rotinas e acasos tantos
Segunda à Sexta, assim é o trato.





sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Decomposição







E quem me dera
uma fera abrir a pedra
da paz a espera.






quarta-feira, 3 de setembro de 2014

A Chave




      
 
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