
Pelos arcos do coreto passa um pombo azul
o azul passa no pombo e o vôo é todo azul.
As linhas das pipas cortam a tarde azul
a euforia de correr pela pipa pratica um riso azul.
O velho olhando a praça tem olho de olhar o azul
todo olho numa praça parece ser azul.
Passa um gavião por onde o azul passa
na distância, fim da tarde, a montanha é azul.
A rua leva a vila, passa o pombo, o gavião passa
o balanço da praça balança azul.
Toda criança é azul.
Todo velho é azul.
Toda lembrança de criança deveria ser azul
todo velho deveria soltar pipas ao céu azul.
Toda rua deveria ter duas idas
e várias voltas e deveria ser azul
toda vila deveria ser tocada por um velho realejo azul.
Todo cinza deveria ser azul
todo dia deveria ser azul
Todo esquecimento deveria ser azul
e a lembrança uma nuance de pintar o azul.
Toda saudade de criança deveria ser azul
a de um velho vir numa aquarela
marrom-azul, roxo-azul
preto-azul, azul-azul.
Dedicado à Fá Lopes