domingo, 6 de fevereiro de 2011

Dia Incomum



 
CALHETAS - CABO DE SANTO AGOSTINHO

 
Nosso objetivo inicial e final era a Praia do Paiva, no litoral sul de Pernambuco, uma praia de compacta faixa de coqueiros, mar de um azul homogêneo e areias muito brancas. Alcançamos o pedágio, situado no final da estrada litorânea do município de Jaboatão dos Guararapes às oito horas da manhã. O dia amanhecera com nuvens carregadas de chuva de verão e ocasionalmente lavavam a estrada, ao que nos pareceu, já assepticamente limpa, muito bem sinalizada, de largas calçadas com canteiros de flores coloridas e monitorada por câmeras em toda a sua extensão. Muito ouvimos falar desse novo recôndito litorâneo urbanizado em uma parceria, questionada pelo gentílico, entre a Administração Municipal do Cabo de Santo Agostinho e uma poderosa representante da indústria da construção civil.
O acesso mais rápido no sentido norte-sul para a Praia do Paiva é, exclusivamente, realizado por esta via privatizada.



Nós penetramos armados de nossas câmeras fotográficas um dos caminhos alagados por grandes poças da água da chuva. A maré estava alta e as piscinas naturais, características da praia, escondidas. Desanimamos de permanecer nela depois de ler as placas que dizem: ATENÇÃO, TUBARÃO.

Assim, nos enfiamos mais na estrada até a Praia de Calhetas.

O relevo do município do Cabo de Santo Agostinho é composto de superfícies retalhadas, que favorecem uma variedade enorme de assuntos fotográficos entre o mar, a vegetação de floresta e a caatinga, também. 
 



A história do Cabo de Santo Agostinho se inicia antes da chegada de Pedro Álvares Cabral ao Brasil: Vicente Yánez Pinzón, navegador da Armada de Cristovão Colombo lhe nomeou Santa Maria de la Consolación, assim ele se chamou de 1500 até 1560, quando então recebeu o nome de Nossa Senhora da Madre de Deus do Cabo de Santo Agostinho, dado por João Paes Barreto. O porquê dos espanhóis não se apossarem da descoberta está descrito no Tratado de Tordesilhas (1494), um acordo para exploração de terras do qual faziam parte, Portugal e Espanha. Por essa época os habitantes do lugar, em sua maioria, eram índios da tribo Caetés. Em 1812, o pequeno povoado de casas espalhadas foi elevado à condição de Vila e em 1877, a de cidade. E ela transpira e respira sua própria história através da preservação das ruínas extraodinárias da época colonial.
Finalmente, chegamos à adorável, e, felizmente, pessimamente conservada estrada de barro que sobe inteira até a praia de Calhetas e desce suavemente até a orla. As paisagens que se descortinam são de um mar azul impressionante, entrecortado no fundo da floresta. Pelo caminho, recebemos saudações dos moradores nativos: bons dias naturais educados de berço.


O esforço de dirigir na estrada acidentada é recompensado pela acolhida dos moradores e pela visão azul densa do mar acomodado na praia curtinha, limitada nas extremidades por rochas e serras.






Caminhando entre as rochas que se depõem na orla, enveredamos por trilhas abertas a passos, sempre subindo, com o objetivo de ter uma visão mais ampla do conjunto de serra e mar, depois, descemos novamente até as pedras, onde a água do mar faz represar pequenos peixes coloridos.







Nesse rumo, um estranho habitante veio tomar satisfações sobre aquele abuso na sua paz; um lindo camaleão adulto, de expressão nem um pouco amistosa, correu a se escafeder no mato levando a certeza de que não era a nossa intenção perturbá-lo. A esta altura do dia, o sol já tinha dado o ar da graça, um tanto inerme, e pudemos ver as edificações da orla de Jaboatão dos Guararapes, como uma visão surrealista, planando na linha do horizonte. Aqui, a paisagem convida a contemplação e, o silêncio, a exceção do fragor do vento, do ressoar das ondas descambando sobre as pedras, se impõe soberano.






Deixar-se tocar pelo sol, pela grande massa de espuma e pelo calor das pedras, demoradamente, sem barreiras têxteis, é estar disposto ao mais primitivo e insonhável de todos os batismos. Permitimo-nos.






Na Vila Nazeré, tive a atenção despertada por um  Museu de Pescadores, mas para a minha frustração não o visitamos, pois estava fechado para reforma. Seguimos em frente, então, para a Igreja de Nossa Senhora Nazaré, construída no séc. XVI próxima às ruínas do Convento Carmelita, construção do séc. XVII. No pátio estava armado um parque de diversões, delimitado ao lado direito pelos muros da igreja, ao lado esquerdo por barracas de comerciantes de comida e bebida, na frente, pelo pequeno cemitério, onde flores artificiais e um coveiro cumpriam suas atividades em calmaria, ele abrindo uma cova nova, elas fingido vida em moradas onde esta já não era mais possível.





Sentamo-nos à sombra de uma das barracas imaginando a vida da criatura, em seu féretro, que fizera jus àquele quinhão agrário. Logo descobrimos se tratar de um jovem rapaz da localidade, cuja violência urbana havia engolido a vida precocemente, longe dali. A moça que narrava, em pormenores, o drama daquele acabamento, falava consternada, ao nos despedirmos, informou que o enterro seria às quatro da tarde, como se estivéssemos marcando encontro para um evento qualquer.




Por sugestão dela subimos mais um pouco, errando o caminho até a recomendada Praia do Paraíso, indo dar em um elevado de vista sufocante. Um rústico mirante de rocha calcária abre visão para a Praia de Suape e para a maior das esperanças de crescimento econômico da região nordeste, o Porto de Suape.

Protegidos do vento pela floresta, a acústica do local nos faz ouvir vozes indistintas vindas da Praia do Paraíso, que visitamos na volta, uma réplica de Calhetas em proporções menores. Atraente, quase selvagem e familiar.
Decidimos retornar ao centro da cidade, onde a desconstrução do que havia no início a deixa semelhante a um animal inconsciente do seu papel na cadeia alimentar. Esperando para ser devorada em holocausto pelo grande monstro da prosperidade que se movimenta bem perto, na terra e no mar.
Um carona nos induz a visitar a Enseada dos Corais e a Praia de Gaibú. Desistimos em um acordo tácito; o centro comercial atrapalhava a nossa curiosidade e boa vontade.
Almoçamos comida regional, preparada na hora, com toques de personalização ao paladar, em um restaurante às margens da estrada de pedras de acesso a Calhetas, para onde retornamos a fim de capturar a extremidade esquerda da praia, mas a iluminação se apresentava amarelada por causa do declínio do sol, o que nos deu a impressão infalível de havermos chegado tarde, com tempo escasso e, poucos olhos para o tanto que havia a ser visto.

Não sem surpresa, ouvi o convite do companheiro para esticarmos novamente a aventura até a Vila Nazaré. Avizinhava-se a hora do cortejo fúnebre sair e a menos que ele estivesse disposto a registrar o luto absoluto no rosto daqueles familiares e amigos do morto, o convite só poderia significar a sua pouca disposição em abandonar aquele clima das relações interpessoais interioranas, como pouca era a minha.



Enfim, às quatro e dez da tarde, decidimos tomar a estrada de volta. Despedimo-nos mais uma vez da moça da barraca de comida e da senhora do bazar, onde as peças de roupas e calçados usados variavam de um real até onde pudesse ir o interesse do cliente, nunca ultrapassando o valor de vinte reais.
No caminho me fiz mais um agrado, adquirindo pimentas em conserva, licores artesanais, castanhas e passas de caju.

E não... Não nos encontramos com o cortejo fúnebre na estrada de pedras. Chovia.



Fotos: Daniel Bezerra



 
 

domingo, 30 de janeiro de 2011

Espuma








No mar
não ponho os pés sem tocar as nascentes
que são veios de mundo e infinito
sem mirar
ligeiro que seja, naufrágios da sorte

Nem posso adivinhar os vôos que neles se desejam
as pátrias engarrafadas no gris e no anil.

Há mistérios de rochas
eu bem sei
madrugam na esuma.




Calhetas - PE - Brasil
Imagem gentilmente cedida por Daniel Bezerra




domingo, 26 de dezembro de 2010

Rua do Bom Jesus



Ao se abrir a noite sobre os tetos ela vai só
buscar seus fantasmas em cantos esquecidos,
ocultos na luz dos postes, nas sombras e beiras
das sacadas, debaixo das copas, nos batentes.

Por endereço tem o domicílio dessas gentes
sem rosto, sem pais, filhos, esposas, maridos,
ninguém esperando nas janelas, nas soleiras
enquanto ela vai e vem trazendo o mesmo pó.

Tem em si duas medidas, uma funda de vazio,
marco nas palmas das mãos de acenar adeus.
Outra inexata, a medir a solidão de quem fica.

A rua separa em mim duas medidas que eu crio,
uma do lado de lá, para o tempo que se perdeu,
a outra bem aqui, onde me reparte e multiplica.




Fotografia da Internet: Rua do Bom Jesus - Recife - PE. 



segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Os Dias








Depois desta década estarão reservados outros dias aos nossos destinos. Enquanto esperam se aprontam e baterão nas portas trazendo as memórias, as somas do que perdemos e angariamos.

Nesse futuro nenhuma perda seja mais do que a necessária para que tenhamos certeza de o quanto foi importante ter sido parte da história de alguém ou de algo, mas que nenhum apreço banal e improfícuo nos torne amargos e descrentes de nós.

Que todos os ganhos não sejam apenas e tão somente transitórios, desses que desabam, que enferrujam, desvalorizam, desses onde as traças pastam, desses que o calendário revela aos poucos por mais que  se tente adiar  sua  naturalidade. Reconheçamos, o que é nosso verdadeiramente é a capacidade de transformar o que somos por dentro, porque o tempo é uma linha ininterrupta, não muda, e, nossa vantagem em relação a ele é que podemos modificá-lo em nós.

Demos aos nossos dias as melhores condições para as memórias de realizações íntimas, de paciência quando tudo parecer revolto, de felicidade quando forem poucos os motivos, de perseverança quando obstáculos se erguerem, de inspiração na resolução de problemas, de sabedoria na expressão da palavra, de atitude quando a palavra não for suficiente, de ternura pela natureza do amor que nos é intrínseco, de abnegação a uma causa  justa e inerente a toda a vida que nos cerca, de bom aprendizado, ainda que por meios dolorosos pois, inexoravelmente, os dias devolverão o que lhes dermos quando baterem na nossa porta amanhã e depois e mais tarde. Serão, certamente, mais bem acolhidos se nossas memórias forem as do que conseguimos ascender todo dia, do que simplesmente vazias.

Tratemos os dias com o mesmo cuidado com o qual eles vêm nos acordar. Neles se fazem a vida e a ausência dela. E nelas são eles que nos contam ao passarem.
 



quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Essência










Acho que sempre esperei sentir o cheiro do melaço da cana na minha primeira respiração. Eu esperei ser aquecida em roupinhas de cambraia, bordadas à mão pelas avós, tias, madrinha e vizinhas. Um gosto irrecusável de florada de caju na boca. Esperei que meus primeiros brinquedos: meu chocalho, a caixinha de música... Fizessem o mesmo som da garganta da acauã... Do curió. Acho que sempre desejei que o primeiro lugar destinado a mim na casa, tivesse uma grande janela de onde eu pudesse olhar o colorido de coroas-de-frade no quintal. E num domingo, quando todos se reunissem para comemorar as chuvas, vindas das preces a São José eu passaria de mão em mão, e cada uma delas cuidaria de me empanturrar de rapadura batida, calda de doce de jaca, suco de umbu cajá, pamonha de milho fresco... E com mais um pouco de tempo, o interminável enxoval, feito para o meu nascimento seria substituído pela carícia do algodão cru, fiado em teares nos fundos de casa e tingidos em tachos fumegantes de barro.

Mas, por força do êxodo, tudo ao que os meus sentidos pueris se ativeram era tão cinzento e frio. Tais informações não coincidiam com as que os meus genes já conheciam. A chuva que caía não era rezada, dela não se esperava abundância no roçado. Não, ela não faltava, como imposição de castigo imerecido. Era constante, acabrunhada e, excomungada. Refratando o asfalto feito rio, cujas margens brotavam concreto. Nenhum júbilo lhe abria as bocas nem o chão. Ela era tão sem graça, tão sem cor. Nenhum arco-íris a precedeu, só a fumaça.

Meu lugar na casa mostrava quadrados de grades, pelas quais eu via alvenaria, alvenaria, alvenaria, antenas e muitos fios, irrisórios pombos, pardais ocasionais. Uma selva de almas, nas mãos de nenhuma das quais a minha passou.

Tudo cheirava a Tietê. E os gostos, fuligem. E eu era tão nua. Tão farta da falta da identidade que meus genes conflitavam.

Quase fui triste, como se a ausência de explicação para mim não fizesse sentido. Temendo que quando, por ventura, um dia fizesse, eu perdesse todo o sentido.

Ilustre desconhecido, o destino é um poeta; fez do sal das salinas daqui, o mesmo tempero das minhas veias. Agora me basto. E do meu lugar jamais fui tão plena. É ele quem me conhece os canaviais e coqueiros, o mar, o cerrado e a caatinga.

Voltar à minha terra acidental de nascimento nunca é como me visitar. É uma gozadora concessão do destino a que ela me visite. Ela, estrangeira que perdeu a bússola na pressa de partir e ir se partir, como quem não se quer mais.



"Somos quem somos porque ainda sabemos o que somos".

Carinhosamente dedicado a Marcelo Rocha.








domingo, 24 de outubro de 2010

Desta Vez





Vou dizer-te só esta vez que essas violetas
são o sopro dos sinos cantando o passado
vindo acordar a luz para os dias de campo
Que este tempo beijado das borboletas é o
infinito conspirando o cansaço benfazejo
de um gesto de morte.
Assim, elas valem o chão.




terça-feira, 19 de outubro de 2010

Por Resposta









Pensou consigo mesmo que o silêncio omitia, não sabia como era ponte, ora, muro. Palavras, signos: superficialidades inalcançáveis à língua. Em parte a pele atenta, casualidade, exatamente. O que cabe no querer é irrelevante, mais vale a desmesura. Meia volta na maçaneta... Faça-se água verde onde peixes aflitos lhe venham mordiscar a índole! À sombra do céu, a vida é um instante, por instantes estanque, é preciso gastar todas as angústias para que ela mane. Por isso caminhou suas pontes, cercou seus muros, em nada majorando o amanhã, desde ontem ele chegava, indiferente a que o pulsar seja o primeiro, ou último, ou único. Coração não distingue medidas, e as relatividades têm o hábito se esconder na boca. Páginas se consumam no final. Virá-las-ia sem epílogos nem quebras ruidosas de promessas.




sábado, 9 de outubro de 2010

Deus-Pacto










Há uma ruptura, também, clareza e vertigem
nos olhos que me destes de olhar acima
para o lugar que convém à partida

Tendo ficado, contudo
me misturo
perduro

Satisfaz o telhado de estrelas ao meu escuro

Pois não te sei
Se sabes quando morro
se somente adormeço, não sei, Senhor
Nada de onisciência sei
não saber nos isenta

Minha culpa é que respiro
a Tua, a que te faz esconder o nome
como se foras homem
Te faz parecer homem
como se foras Deus

Apenas, sei que Teus pecados são os meus
os meus
onipresentemente teus
por tê-los criado no mesmo feitio
que em mim te criei

Hoje elas não vieram
deixaram o vento em paz
Escuta como são bondosas essas Tuas aves
recolhem-se por uma partícula perdida a sós

Não queria ser a harpa
me aprazia as cordas
intervalo de dedos e braços
talvez o toque
onde eu te pertença do cerne à raiz
Campo ao grão
solos de silêncios para uma única voz

Calou-se, tal segredo, na foz
na margem, o rio
nenhuma gota se mexeu
galho algum se partiu

Nada fecundou que conhecesse o seu destino
é por isto que hás de ser como se fosses preciso

Basta-me uma lauda
marcada entre os santos
em tanta lonjura de ti
Somente um motivo
para dizeres que És
enquanto eu tenha sido

Apaziguados nesse ato
de mim para Contigo
de Ti para comigo
selemos o nosso pacto
então serei, serás feliz.



Foto: Reinaldo Lopes Moreira




sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Ao Pé da Nossa Janela





O que você vê ao olhar pela janela? A rua? As pessoas que passam? As outras janelas? O mar? O verde de um parque?
É olhando pela janela que muitas vezes descobrimos novas possibilidades, novas formas de ver o que se passa lá fora.
É na janela da alma que também olhamos pra dentro de nós, para o que somos, temos e sentimos.
É também numa outra janela que temos o mundo na ponta dos dedos e ao alcance da vista. É na telinha de um computador que descobrimos que o outro lado do mundo é logo ali!
E assim vivemos, de janela em janela.
E com essas visões, nós (Cláudia e Jeanne) descobrimos uma nova possibilidade. Descobrimos que poderíamos deixar marcada, guardada, impressa de alguma forma, nossas visões de mundo. E criamos nossos “blogs”, janelas nossas para expressar o mundo interior e exterior a nós.
E por conta de mais uma janelinha, um dia nossos olhares se cruzaram, e percebemos o surgimento de uma parceria, de olhares, quem sabe. Uma brincadeira de olhar a janela da alma humana que foi ficando seria ao ponto de merecer o registro em livro.
E assim nasceu o “Ao Pé Da Nossa Janela”: um projeto que tem como elemento básico a expressão do sentimento que o texto desperta, através de uma viagem narrada e musicada, a partir do poema e de volta a ele. Poesia e melodia vão se incorporar em lugares muito próprios da sensibilidade e da percepção do ouvinte, numa transcendência para além dos vocábulos e das notas musicais. A intenção sempre foi de inovar e, construir um livro para ler, ouvir, ver e sentir. No projeto original temos uma compilação de nossos poemas com músicas (em um áudio book) que fogem ao mero papel de serem equivalentes em notas musicais para os vocábulos dos textos e buscam despertar sentimentos de alegria, melancolia, tristeza, nostalgia e todo conteúdo emocional dos poemas, numa tradução através dos acordes e harmonia das músicas compostas exclusivamente para cada um dos textos.
E agora, porque até os sonhos são construídos em partes, apresentamos uma parte do projeto, o livro com os nossos poemas.
E é com grata satisfação que convidamos a todos os amigos, leitores, blogueiros e afins para o lançamento do “Ao Pé da Nossa Janela”. Uma co-produção Recife-Fortaleza que é uma parte do nosso sonho.
O lançamento será no dia 29 de novembro no Centro de Convenções de Pernambuco (Recife) às 18h.
Esperamos que apreciem nosso sonho e nosso livro. Os que não puderem estar lá conosco para adquirir um exemplar, procurem nas livrarias da sua cidade e aos que não acharem nas livrarias, ligue para todas elas fazendo pedidos (risos) ou nos envie um e-mail (conversemos@aopedanossajanela.com) e aguardem novas surpresas e mais novidades no site “Ao Pé da Nossa Janela”.


Fotografia: Daniel Bezerra






sexta-feira, 17 de setembro de 2010

O Amor...









É ainda essa lentidão de espera
tentando fazer em um só sábado
os bem-me-queres da primavera
dele mesmo, um ato consumado.

E eu pensei distinguir nos amores
de tanto guardados tido perdidos
a errática além de ou aonde fores
um luto azul para ser usado rindo.

Mas o que é essa tal essencialidade
senão a calma com que a ferimos?
Raspando a alma por uma verdade.

Imenso ou precário, todo ou em parte
nem por pretensão a ele despedimos
Dias, é cansaço, mas em outros, arte.



Tela de Cecilia Braun






quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Contradição







Isso de não-razão se esclarece nesse
arrepio da gente e, faz do imenso absurdo,
palavra sem boca, volúpia sem pernas.
A verdade categórica de tudo, sem uso.







terça-feira, 7 de setembro de 2010

De Sal e Luz









Repete devagarzinho
no ritmo das ondas
movimentos de sal e areia
ainda tenho nas mãos o estalido da luz
cavada entre as nuvens
esquecida da noite.







sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Estado Bruto



Finalmente!


Pois é... Tenho ficado distante "do Brisa" no afã de concluir este projeto que se iniciou há pouco mais de cinco meses, até que ele se materializou. Com fotos de Daniel Bezerra, editoração e impressão da Editora Babecco, em novembro, ESTADO BRUTO estará nas livrarias. Sinto enorme prazer em dividir este momento com os leitores assíduos, amigos e visitantes ocasionais, pois este evento marca o início da aventura desta bióloga aqui pelos caminhos da prosa literária, em uma base mais realista e sociológica.





sábado, 31 de julho de 2010

Sobre o Tempo





Se eu conhecesse o que está no minuto, apenas
e sendo cada um o último tivesse todos os poemas
que eu não tive tempo de escrever.

Quem me dera litros de mágoas gaseificadas
sabor groselha, caramelo, chocolate, goiabada.
O que mais eu haveria de querer?

E se eu aprontasse o mais perfeito colossal deslize?
E sendo o derradeiro, celebrasse todas as tolices
que eu deixei de cometer?

Mas, quem me dera aquele largo riso infante,
ocupando a boca de felicidade tão grande,
que ela ficasse sem meios de dizer.

E se me acometesse uma sanidade tardia?
Singular? Seria a melhor e a que eu mais queria:
a mais alucinante de viver.

Quem me dera os pés calçados de vento
e na rapidez de um claro pensamento,
o que passou e o que ainda vai acontecer.

E se para aqueles sonhos esquecidos
houvesse uma cura? Um comprimido?
- Três vezes ao dia para não envelhecer! -

Quem me dera dores bem pequenininhas,
eu as guardaria com botões e poesias,
e as contaria antes de adormecer.

Quem dera me aguardasse um abraço no frio,
quando eu for bem velha, e os meus filhos
tenham desistido de crescer.







segunda-feira, 12 de julho de 2010

Úmida



Cuida
Que entre as coxas
vibra navalha
cio
pele
e eu me bordo de chuva.







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